CNBB cobra punição para deputado bolsonarista que ofendeu Arcebispo e o Papa

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou uma carta para o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Carlão Pignatari (PSDB), cobrando punição para o deputado estadual Frederico D’Ávila (PSL) por ter chamado o bispo dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida, que criticou o governo Bolsonaro, de “vagabundo”, “safado” e “pedófilo”.

O deputado bolsonarista fez um discurso histérico na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) depois que dom Orlando Brandes disse que “Pátria amada não é Pátria armada”, no dia de Nossa Senhora Aparecida, na última terça-feira (12).

D’Ávila também ofendeu à CNBB e ao papa Francisco com os mesmos xingamentos.

Para a CNBB, Frederico D’Ávila “feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes”.

Foi “um discurso medíocre e odioso, carente de lucidez, modelo de postura política abominável que precisa ser extirpada e judicialmente corrigida pelo bem da democracia brasileira”, afirmou a CNBB.

Na nota, a entidade diz que acredita que a punição a esse “ultrajante desrespeito” deve ser “reparado em proporção à sua gravidade”, o que seria um “sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada”.

A Confederação informou que “tratará esse assunto grave nos parâmetros judiciais cabíveis”.

A carta enviada para o presidente da Alesp diz ainda que a CNBB “aguarda uma resposta rápida de Vossa Excelência – postura exemplar e inspiradora para todas as casas legislativas, instâncias judiciárias e demais segmentos para que a sociedade brasileira não seja sacrificada e nem prisioneira de mentes medíocres”.

O Frei José Fernandes Alves, da Arquidiocese de Goiânia, que é coordenador da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil também divulgou uma nota em solidariedade ao arcebispo dom Orlando Brandes e pedindo punição ao deputado bolsonarista.

Para ele, o discurso de Frederico D’Ávila, “cujas bases são o ridículo e a ignorância, a desinformação e a má-fé, traduz o que de pior chegou à política brasileira: o ódio, a violência e a barbárie”.

“O fato de que uma pessoa pública se manifeste nesses termos traduz os grandes perigos que ameaçam a nossa democracia. Por isso mesmo, tal episódio deve ser punido rigorosamente, em nome da justiça e da verdade”, afirmou.“A verdade, a esperança, a justiça e a paz são valores inegociáveis que nenhuma voz descontrolada e colérica calará”.

No discurso feito na Alesp, Frederico D’Ávila xingou dom Orlando Brandes por ter criticado Jair Bolsonaro, sem ter citado seu nome.“Seu vagabundo, safado, que se submete a esse papa vagabundo também. A última coisa que vocês tomam conta é do espírito, do bem-estar e do conforto da alma das pessoas. Você acha que é quem para ficar usando a batina e o altar para ficar fazendo proselitismo político? Seus pedófilos safados, a CNBB é um câncer que precisa ser extirpado do Brasil”, falou o deputado bolsonarista.

Leia a íntegra da carta:

CARTA ABERTA

Exmo. Sr. Deputado Estadual Carlão Pignatari Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo Cidadãos e cidadãs brasileiros

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, nesta casa legislativa e diante do Povo Brasileiro, rejeita fortemente as abomináveis agressões proferidas pelo deputado estadual Frederico D’Avila, no último dia 14 de outubro, da Tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes.

Ao longo de toda a sua história de 69 anos, celebrada no dia em que ocorreu este deplorável fato, a CNBB jamais se acovardou diante das mais difíceis situações, sempre cumpriu sua missão merecedora de respeito pela relevância religiosa, moral e social na sociedade brasileira. Também jamais compactuou com atitudes violentas de quem quer que seja. Nunca se deixou intimidar. Agora, diante de um discurso medíocre e odioso, carente de lucidez, modelo de postura política abominável que precisa ser extirpada e judicialmente corrigida pelo bem da democracia brasileira, a CNBB, mais uma vez, levanta sua voz.

A CNBB se ancora, profeticamente, sem medo de perseguições, no seguinte princípio: a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76).

Defensora e comprometida com o Estado Democrático de Direito, a CNBB, respeitosamente, espera dessa egrégia casa legislativa, confiando na sua credibilidade, medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade – sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada.

A CNBB, prontamente, comprometida com a verdade e o bem do povo de Deus, a quem serve, tratará esse assunto grave nos parâmetros judiciais cabíveis. As ofensas e acusações, proferidas pelo parlamentar – protagonista desse lastimável espetáculo – serão objeto de sua interpelação para que sejam esclarecidas e provadas nas instâncias que salvaguardam a verdade e o bem – de modo exigente nos termos da Lei.Nesta oportunidade, registramos e reafirmamos o nosso incondicional respeito e o nosso afeto ao Santo Padre, o Papa Francisco, bem como a solidariedade a todos os bispos do Brasil. A CNBB aguarda uma resposta rápida de Vossa Excelência – postura exemplar e inspiradora para todas as casas legislativas, instâncias judiciárias e demais segmentos para que a sociedade brasileira não seja sacrificada e nem prisioneira de mentes medíocres.

Em Cristo Jesus, “Caminho, Verdade e Vida”, fraternalmente,

Brasília-DF, 16 de outubro de 2021.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte, MG – Presidente

Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre, RS – 1º Vice-Presidente

Dom Mário Antônio da Silva, Bispo de Roraima, RR – 2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ – Secretário-Geral.

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