24 governadores se comprometem em carta com o meio ambiente, apesar de Bolsonaro

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Os governadores de 23 estados e do Distrito Federal enviaram uma carta para o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reafirmando seu compromisso com a preservação ambiental e propondo parcerias.

Quatro governadores, representando os demais, se reuniram virtualmente com o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, para entregar o documento.

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), que participou da reunião, afirmou que “nestes últimos dois anos e pouco, o governo federal não deu muita atenção ao tema ambiental, mas queremos que ele dê, e estamos fazendo isso para que o governo federal possa recuperar a sua prática, entrar no tema e nós também entrarmos no tema, junto com toda a sociedade brasileira”.

Na carta, o grupo mostrou “o desejo do Brasil por união e construção colaborativa de soluções em defesa da humanidade e de todas as espécies de vida que estão ameaçadas pela degradação de ecossistemas”.

“Os governadores do Brasil abaixo subscritos, representantes de estados que compreendem mais de 90% do território nacional, manifestam interesse no desenvolvimento de parcerias e de estratégias de financiamento, visando impulsionar o equilíbrio climático, a redução de desigualdades, a regeneração ambiental, o desenvolvimento de cadeias econômicas verdes e o estímulo à adoção de tecnologias para reduzir as emissões de atividades econômicas tradicionais nas Américas, além do esforço conjunto na construção de uma sociedade mais saudável e resiliente a pandemias”, continua.

“Expressamos nossa intenção de implementar ações conjuntas, propondo a cooperação entre os EUA e os governos estaduais brasileiros, responsáveis pela maior parte da floresta amazônica, a mais extensa floresta tropical do mundo, e de outros biomas que, somados, abrigam a mais ampla biodiversidade já registrada e que são capazes de regular ciclos hídricos e de carbono em escala planetária”.

“Nossa parceria pode somar rapidamente capacidade técnica, grandes áreas regeneráveis de terra e governanças locais, com a imensa capacidade de investimentos da economia americana, conectando políticas públicas, conhecimentos científicos, instrumentos inovadores e iniciativas empresariais”.

Na quinta-feira (22), começará a Cúpula de Líderes pelo Clima, evento convocado por Joe Biden e que contará com a presença de Jair Bolsonaro. Também em carta, Bolsonaro disse que o desmatamento ilegal no Brasil acabará só em 2030.

Renato Casagrande (PSB) disse que foi solicitada ao embaixador “uma conexão e um canal de comunicação com o governo americano para que possamos tratar do tema das mudanças climáticas. É uma articulação de toda a sociedade”.

“Os estados brasileiros têm responsabilidades e compromissos independente do governo federal. Nós queremos que o governo federal esteja junto, mas nós podemos desenvolver as nossas ações, com mais dificuldade, independentemente do governo federal”, acrescentou.

Assinaram o documento os governadores Gladson Cameli (Acre), Renan Filho (Alagoas), Waldez Góes (Amapá), Wilson Lima (Amazonas), Rui Costa (Bahia), Camilo Santana (Ceará), Ibaneis Rocha (Distrito Federal), Renato Casagrande (Espírito Santo), Ronaldo Caiado (Goiás), Flávio Dino (Maranhão), Mauro Mendes (Mato Grosso), Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul), Romeu Zema (Minas Gerais), Helder Barbalho (Pará), João Azevêdo (Paraíba), Carlos Roberto Massa Junior (Paraná), Paulo Câmara (Pernambuco), Wellington Dias (Piauí), Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), João Doria (São Paulo), Belivaldo Chagas (Sergipe) e Mauro Carlesse (Tocantins).

Não assinaram o documento os governadores de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido); Roraima, Antonio Denarium (sem partido) e Rondônia, Marcos Rocha (PSL).

EXONERAÇÃO DE CHEFE DO IBAMA NO PR

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), órgão do governo federal, exonerou o chefe da equipe de fiscalização do Porto de Paranaguá (PR), segundo maior do país, que conseguiu fiscalizar 100% da carga de 2020.

Antonio Fabricio Vieira é servidor há 26 anos, mas foi demitido depois de conseguir um ótimo resultado na fiscalização. Sob sua chefia, a equipe conseguiu fiscalizar “100% das cargas a serem exportadas pelo porto de Paranaguá, em um total de 35.822 m³ de madeira nativa”.

Durante o ano passado, o grupo observou 30 infrações e faltas de documentação para a madeira.

Fontes de dentro do governo disseram ao jornal Folha de S.Paulo que a demissão aconteceu depois de uma ligação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao superintendente do Ibama do Paraná.

DELEGADO DA PF DENUNCIOU SALLES

O delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, que foi afastado depois de apresentar uma notícia-crime contra Ricardo Salles, afirmou que o ministro de Bolsonaro “estaria atuando e favorecendo os madeireiros e isso foi feito de uma forma muito explícita”.

Saraiva disse que “tem vídeo dele apontando para a placa de uma empresa investigada que segundo ele ‘estava tudo certinho’ e que, na verdade, em relação a esta empresa, já existia até laudo pericial apontando as ilegalidades cometidas”.FacebookTwitterLinkedInEmailWhatsAppPosts Relacionados“Renan será o relator da CPI da Covid-19”, reafirma o senador Otto Alencar“Governo tentou ampliar a CPI da Covid para ela não funcionar”, diz CasagrandeYouTube apaga vídeo mentiroso de Bolsonaro sobre ‘tratamento precoce’“Bolsonaro está provocando um grande isolamento do Brasil no mundo”, diz FHC

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Os governadores de 23 estados e do Distrito Federal enviaram uma carta para o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reafirmando seu compromisso com a preservação ambiental e propondo parcerias.

Quatro governadores, representando os demais, se reuniram virtualmente com o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, para entregar o documento.

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), que participou da reunião, afirmou que “nestes últimos dois anos e pouco, o governo federal não deu muita atenção ao tema ambiental, mas queremos que ele dê, e estamos fazendo isso para que o governo federal possa recuperar a sua prática, entrar no tema e nós também entrarmos no tema, junto com toda a sociedade brasileira”.

Na carta, o grupo mostrou “o desejo do Brasil por união e construção colaborativa de soluções em defesa da humanidade e de todas as espécies de vida que estão ameaçadas pela degradação de ecossistemas”.

“Os governadores do Brasil abaixo subscritos, representantes de estados que compreendem mais de 90% do território nacional, manifestam interesse no desenvolvimento de parcerias e de estratégias de financiamento, visando impulsionar o equilíbrio climático, a redução de desigualdades, a regeneração ambiental, o desenvolvimento de cadeias econômicas verdes e o estímulo à adoção de tecnologias para reduzir as emissões de atividades econômicas tradicionais nas Américas, além do esforço conjunto na construção de uma sociedade mais saudável e resiliente a pandemias”, continua.

“Expressamos nossa intenção de implementar ações conjuntas, propondo a cooperação entre os EUA e os governos estaduais brasileiros, responsáveis pela maior parte da floresta amazônica, a mais extensa floresta tropical do mundo, e de outros biomas que, somados, abrigam a mais ampla biodiversidade já registrada e que são capazes de regular ciclos hídricos e de carbono em escala planetária”.

“Nossa parceria pode somar rapidamente capacidade técnica, grandes áreas regeneráveis de terra e governanças locais, com a imensa capacidade de investimentos da economia americana, conectando políticas públicas, conhecimentos científicos, instrumentos inovadores e iniciativas empresariais”.

Na quinta-feira (22), começará a Cúpula de Líderes pelo Clima, evento convocado por Joe Biden e que contará com a presença de Jair Bolsonaro. Também em carta, Bolsonaro disse que o desmatamento ilegal no Brasil acabará só em 2030.

Renato Casagrande (PSB) disse que foi solicitada ao embaixador “uma conexão e um canal de comunicação com o governo americano para que possamos tratar do tema das mudanças climáticas. É uma articulação de toda a sociedade”.

“Os estados brasileiros têm responsabilidades e compromissos independente do governo federal. Nós queremos que o governo federal esteja junto, mas nós podemos desenvolver as nossas ações, com mais dificuldade, independentemente do governo federal”, acrescentou.

Assinaram o documento os governadores Gladson Cameli (Acre), Renan Filho (Alagoas), Waldez Góes (Amapá), Wilson Lima (Amazonas), Rui Costa (Bahia), Camilo Santana (Ceará), Ibaneis Rocha (Distrito Federal), Renato Casagrande (Espírito Santo), Ronaldo Caiado (Goiás), Flávio Dino (Maranhão), Mauro Mendes (Mato Grosso), Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul), Romeu Zema (Minas Gerais), Helder Barbalho (Pará), João Azevêdo (Paraíba), Carlos Roberto Massa Junior (Paraná), Paulo Câmara (Pernambuco), Wellington Dias (Piauí), Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), João Doria (São Paulo), Belivaldo Chagas (Sergipe) e Mauro Carlesse (Tocantins).

Não assinaram o documento os governadores de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido); Roraima, Antonio Denarium (sem partido) e Rondônia, Marcos Rocha (PSL).

EXONERAÇÃO DE CHEFE DO IBAMA NO PR

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), órgão do governo federal, exonerou o chefe da equipe de fiscalização do Porto de Paranaguá (PR), segundo maior do país, que conseguiu fiscalizar 100% da carga de 2020.

Antonio Fabricio Vieira é servidor há 26 anos, mas foi demitido depois de conseguir um ótimo resultado na fiscalização. Sob sua chefia, a equipe conseguiu fiscalizar “100% das cargas a serem exportadas pelo porto de Paranaguá, em um total de 35.822 m³ de madeira nativa”.

Durante o ano passado, o grupo observou 30 infrações e faltas de documentação para a madeira.

Fontes de dentro do governo disseram ao jornal Folha de S.Paulo que a demissão aconteceu depois de uma ligação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao superintendente do Ibama do Paraná.

DELEGADO DA PF DENUNCIOU SALLES

O delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, que foi afastado depois de apresentar uma notícia-crime contra Ricardo Salles, afirmou que o ministro de Bolsonaro “estaria atuando e favorecendo os madeireiros e isso foi feito de uma forma muito explícita”.

Saraiva disse que “tem vídeo dele apontando para a placa de uma empresa investigada que segundo ele ‘estava tudo certinho’ e que, na verdade, em relação a esta empresa, já existia até laudo pericial apontando as ilegalidades cometidas”.

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