Dia Nacional da Caatinga: o único bioma exclusivamente brasileiro

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Vinte e oito de abril é o Dia Nacional da Caatinga. A Caatinga é um grande ecossistema de floresta seca que recobre cerca de 11% do território brasileiro. Botanicamente, é considerado o único bioma exclusivamente brasileiro.

Foi o engenheiro agrônomo e ecologista pernambucano João Vasconcelos Sobrinho (1908-1989) quem primeiro comprovou que o patrimônio biológico da Caatinga, além de ser muito rico, é único no Planeta. Em sua homenagem, o Dia Nacional da Caatinga foi instituído em 2003.

Para além de comemorar esta data, a Caatinga merece mais um alerta sobre seu atual estado de conservação e a urgência de ações sistemáticas para preservar o bioma.

A Caatinga é um dos biomas menos protegidos do País. Ainda assim, iremos mostrar neste post que um mapeamento recente, publicado no Atlas das Caatingas, constatou que a degradação desse ecossistema tem ocorrido a passos largos, mesmo no interior das unidades de conservação de proteção integral.

O cantor e compositor, Roberto Malvezzi(Gogó) e Lena Machado interpretam a música Pedagogia da Seca. Uma composição do Gogó.

Pedagogia da seca. (Autor: Roberto Malvezzi (Gogó)) (Interpretação: Lena Machado e Roberto Malvezzi)

O sertão é sol

O sertão é luz

O sertão é som

O sertão seduz

O sertão é céu

O sertão é chão Sertão é povo Sertão de novo

A seca castiga, mas também ensina

Há que se aprender a viver no clima

Como dizia aquele poeta

O Patativa Assaré do sertão

Nordestino sim, nordestinado não (bis)

Porque o sol que castiga É o mesmo sol que gera a vida

A caatinga dorme, a caatinga não morre

Há que se aprender com os mistérios da vida

Como dizia esse próprio poeta

É pelo avesso que se vê o sertão

É preciso olhar pelo coração. Porque o sol que castiga

É o mesmo sol que gera a vida.

O sertão é luz

O sertão é som

O sertão seduz

O sertão é céu

O sertão é chão Sertão é povo Sertão de novo

A seca castiga, mas também ensina

Há que se aprender a viver no clima

Como dizia aquele poeta

O Patativa Assaré do sertão

Nordestino sim, nordestinado não (bis)

Porque o sol que castiga

É o mesmo sol que gera a vida

A caatinga dorme, a caatinga não morre

Há que se aprender com os mistérios da vida

Como dizia esse próprio poeta

É pelo avesso que se vê o sertão

É preciso olhar pelo coração.

Porque o sol que castiga

É o mesmo sol que gera a vida.

De uma maneira geral, a preocupação com a extinção das espécies nativas está na ordem do dia em todos os biomas brasileiros e as políticas de conservação ambiental estão cada vez mais frágeis na sociedade brasileira.

Na Caatinga, a gestão das áreas de conservação de proteção total, administradas pelo Estado brasileiro, tem enfrentado sérios desafios que colocam em risco a preservação das suas riquezas biológicas, especialmente das espécies com maior risco de desaparecerem.

A Caatinga está situada na região semiárida mais populosa do mundo, considerada uma das mais ricas em biodiversidade. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, são 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 de anfíbios, 241 de peixes e 221 de abelhas. A flora da Caatinga é composta por cerca de 4.479 espécies vegetais, com expressivo número de espécies endêmicas, ou seja, que só existem nessa região do Planeta.

O bioma abrange grande parte dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais, em um total de 844 km2 de extensão. Apesar da grande dimensão da Caatinga, seu patrimônio biológico e genético ainda é pouco conhecido pelos pesquisadores.

Historicamente, o bioma passa por um contínuo e sistemático processo de degradação ambiental, desde o seu processo de ocupação. Dentre os fatores que aumentam cada vez mais o risco de extinção de várias espécies endêmicas da fauna e flora da Caatinga, estão: desmatamento generalizado para agricultura (fator mais impactante, que já atingiu 46% da área original do bioma), extração insustentável de lenha para fins energéticos (uso doméstico e industrial), mineração, pastoreio excessivo de caprinos e bovinos, monocultura e crescente urbanização.

Em algumas áreas da Caatinga, em função dos impactos das atividades humanas sobre áreas de remanescentes florestais, o nível de degradação dos solos atingiu estágio de muito grave, resultando em processo de desertificação.

Dados de monitoramento do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) indicam que os níveis de degradação, em relação às áreas totais de cada estado do Semiárido brasileiro, estão distribuídos da seguinte forma: Alagoas (32,8%), Paraíba (27,7%), Rio Grande do Norte (27,6%), Pernambuco (20,8%), Bahia (16,3%), Sergipe (14,8%), Ceará (5,3%), Minas Gerais (2,0%) e Piauí (1,8%).

A desertificação é a perda definitiva de um patrimônio genético e ecológico da Caatinga, aumentando o risco de o grave problema se alastrar para outras áreas que hoje seguem o mesmo ritmo de degradação. Nessas áreas em processo de desertificação, tornou-se irreversível qualquer iniciativa de conservação da Caatinga ou inviável economicamente as tentativas de recuperação da sua vegetação.

A remoção parcial ou total da cobertura vegetal da Caatinga diminui a cobertura dos solos (ainda jovens e pouco profundos) da Caatinga, deixando-os expostos, resultando no crescente aumento da degradação do bioma.

Mudanças no uso da terra e manejo insustentável dos recursos naturais são as causas humanas diretas da degradação dos solos, afetando adversamente os meios de subsistência de pelo menos 1,5 bilhões de pessoas em todo o mundo.

Em áreas desprotegidas, o manejo florestal sustentável é a estratégia mais adequada para evitar o desmatamento da Caatinga, conservar a biodiversidade e gerar benefícios socioeconômicos, mediante o fornecimento de matéria-prima para atender às crescentes demandas da sociedade.

foto: arquivo/janiorego

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