Fundação Getúlio Vargas declara que Dacotelli jamais foi seu professor

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Na terça-feira, 30/06, a Fundação Getúlio Vargas emitiu nota em que esclarece que o ministro da Educação anunciado por Bolsonaro, Carlos Alberto Decotelli, jamais foi seu professor ou pesquisador.

O esclarecimento da FGV ocorreu poucas horas após Bolsonaro declarar que “por inadequações curriculares o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o Ministério. Todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma Educação inclusiva e de oportunidades para todos“.

Bolsonaro estava, portanto, tentando insistir em colocar um falsário no Ministério da Educação. Considerando o antecessor de Decotelli, Weintraub, parece que ter uma folha-corrida, ao invés de um currículo, é um pré-requisito para ser titular da pasta da Educação no governo Bolsonaro.

Mas não é qualquer folha-corrida que serve, bem entendido.

No seu comunicado, a FGV diz que “o Prof. Decotelli cursou mestrado na FGV, concluído em 2008. (…) Quanto aos cursos de doutorado e pós-doutorado, realizados com outras instituições educacionais, cabe a estas prestar eventuais esclarecimentos e não à FGV, para quem o Prof. Decotelli atuou apenas nos cursos de educação continuada, nos programas de formação de executivos e não como professor de qualquer das escolas da FundaçãoDa mesma forma, não foi pesquisador da FGV, tampouco teve pesquisa financiada pela instituição” (grifo nosso).

Esta é a quarta falsificação descoberta no currículo de Decotelli. Aliás, se o critério for rigoroso, é a 21ª falsificação.

O motivo é que, em seu currículo, Decotelli menciona 18 “vínculos institucionais” como professor da Fundação Getúlio Vargas.

Por exemplo:

Tudo isso, e mais o que segue, é uma farsa. Decotelli dava alguns cursinhos, daquele tipo que certos sujeitos – por exemplo, pequenos executivos do mercado financeiro – adoram colecionar, para impressionar alguns tolos. É o que alguns chamam de “fazer currículo” – uma lista de cursos insignificantes ancorados em certificados vazios.

O próprio Decotelli registra, em seu currículo, 38 desses “cursinhos”, cuja carga horária varia entre 4 horas e 8 horas, mais um outro com carga de 24 horas, aos quais juntou, na mesma sessão de seu currículo, uma reunião da Cruzada Evangelística Billy Graham e um curso de 8 horas sobre “sociologia cristã”.

Agora, não estamos certos de que ele tenha frequentado sequer esses cursinhos instantâneos.

O motivo é simples: o sujeito é um estelionatário de currículo.

Anunciado como grande e respeitado professor da FGV, com mestrado na instituição, doutorado na Argentina e pós-doutorado na Alemanha, descobriu-se que:

  1. Ele não tem doutorado, pois foi reprovado nos exames preliminares na Universidade Nacional de Rosario, Argentina.
  2. Ele não tem pós-doutorado, nem na Alemanha nem em lugar algum, no máximo frequentou um curso de três meses com uma professora da Universidade de Wuppertal.
  3. Sua dissertação de mestrado, na FGV, é um plágio de um documento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
  4. Ele nunca foi professor da Fundação Getúlio Vargas – nem pesquisador desta instituição.

Então, disse um estudante que conhecemos: “o que esse cara é?”

Ao que parece, nada; exceto um sujeito sem a inibição moral de falsificar o próprio currículo para passar por aquilo que não é.

Não é à toa que seu Twitter é tão polvilhado por elogios a Bolsonaro, à ministra Damares (aquela do pé de goiaba) e apoios entusiásticos ao hoje fugitivo Abraham Weintraub.

O bolsonarismo não é um reduto em que gente honesta se sinta confortável. Ser honesto não é uma qualificação que Bolsonaro exija para o Ministério da Educação, aquele encarregado de formar jovens e crianças….

De todo o alentado currículo universitário de Decotelli, somente um item até agora não foi destroçado: a graduação na UERJ, em Administração. Mas o dia é ainda uma criança, mal acaba de nascer… Vejamos se esse item resiste até amanhã.

Costumava-se, antigamente, chamar indivíduos com esse perfil de vigaristas ou estelionatários ou falsários ideológicos – capitulados pelo artigo 171 do Código Penal e seus assemelhados.

No governo Bolsonaro, entretanto, parece que isso é virtude. Depois de Weintraub, agora Decotelli.

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