Bolsonaro volta a atacar e fala em ‘guerra’. Governadores reagem

0
479

Em videoconferência com empresários, da qual participou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, presidente exortou os donos do capital a “jogar pesado” contra os governadores

O presidente Jair Bolsonaro demonstrou nesta quinta-feira (14), mais uma vez, que definiu o confronto político como “estratégia” no enfrentamento da pandemia de coronavírus, que cresce exponencialmente no país. Contrariando diretrizes científicas, o chefe de governo usou hoje a palavra “guerra” para definir sua oposição à política de governadores contra a covid-19 e defender a reabertura de atividades comerciais.

Em videoconferência com empresários, da qual participou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, Bolsonaro exortou os donos do capital a “jogar pesado” contra os governadores e usou a palavra “guerra”. “Os senhores, com todo o respeito, têm que chamar o governador e jogar pesado. Jogar pesado, porque a questão é séria, é guerra”, disse, em referência ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “Um homem está decidindo o futuro de São Paulo, decidindo o futuro da economia do Brasil”, afirmou ainda.

Governadores de diferentes tendências têm reagido às provocações do chefe do clã Bolsonaro. O próprio governador paulista afirmou que mais uma vez o chefe de governo “deixa de defender a saúde dos brasileiros para atacar quem está trabalhando para proteger vidas”. O tucano acrescentou: “Prefere comícios, andar de jet ski, treinar tiros e fazer churrasco. Enquanto milhares de brasileiros morrem por coronavírus”.

Ideologicamente no lado oposto a Doria, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), escreveu no Twitter: “Se a crise econômica fosse causada pelos governadores, por que ela existe em outros países?”, questionou. “Quem está causando a grave crise econômica é o coronavírus. E a responsabilidade da gestão econômica é dele. Se não sabe o que fazer, renuncie”.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), se posicionou em tom mais polido. “Tem uma parcela da população que discorda do isolamento e me ataca pelas medidas. Gostaria de poder dizer às pessoas para voltar ao trabalho, mas devo cumprir meu dever e proteger vidas. Evitar o colapso da saúde”, escreveu.

Aliado de Bolsonaro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), escreveu: “Não vou aceitar a tese de Pôncio Pilatos. As responsabilidades pelas consequências terão que ser assumidas por todos”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here