CNTE manifesta solidariedade aos professores colombianos e suas entidades sindicais ameaçadas

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Atualmente a Colômbia enfrenta uma profunda crise humanitária, com ameaças diárias contra líderes sindicais e sociais colombianos, que mostra o fortalecimento do paramilitarismo nos territórios. De acordo com nota da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, foram registrados mais de 700 assassinatos de líderes sindicais, sociais e militantes do partido das FARC, fatos acompanhados de impunidade e falta de garantias políticas para o movimento social. Por tudo isso, a Associação Sindical de Professores Universitários (ASPU), da Colômbia, publicou uma nota exigindo que as autoridades colombianas tomem as medidas necessárias para interromper o banho de sangue que está ocorrendo contra lideranças sociais, comunidades e as autoridades indígenas, especialmente as do Departamento de Cauca.

>> VEJA O VÍDEO DE NELSON ALARCÓN, DA FECODE

O Comitê Executivo da Federação Colombiana de Trabalhadores da Educação (FECODE) convocou uma paralisação nacional de 24 horas na próxima quinta-feira, 12 de setembro, devido à grave situação de insegurança e às ameaças que afetam também o ensino. Entre as motivações centrais do protesto estão a defesa a vida e a integridade física dos professores, líderes sociais e sindicais, a rejeição de todas as formas de violência que são evidentes no país de onde elas vêm; o total cumprimento dos acordos assinados pelo Governo Nacional na mesa de negociação com a FECODE; o respeito e reconhecimento das instituições de ensino como territórios de paz e a rejeição de ameaças contra membros do Comitê Executivo da FECODE e seus sindicatos afiliados.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) publicou uma nota de solidariedade aos professores colombianos – leia a nota a seguir em português e em espanhol.

MOÇÃO DE SOLIDARIEDADE AOS PROFESSORES COLOMBIANOS E ÀS SUAS ENTIDADES SINDICAIS QUE LUTAM PELO DIREITO DE VIVER EM SEU PAÍS

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, entidade representativa dos profissionais da educação básica do setor público brasileiro, vem por meio desta se solidarizar de forma incondicional com os professores e professoras da Colômbia que, de forma assustadoramente recorrente, têm suas vidas ceifadas por uma cultura de violência que mata e destrói o futuro de todo um país.

Somente nessa semana, 3 (três) professores foram assassinados, fato que não deixa nunca de consternar a todos/as. A morte daqueles que preparam as futuras gerações deveria ser considerada um crime de lesa pátria, tamanha a gravidade da situação. Que consigamos nunca naturalizar tal situação!

A cultura da violência que toma conta de todo o mundo, mas que é muito enraizada na realidade colombiana, não pode esmorecer nossa indignação e vontade de lutar para mudar essa realidade. Essas situações de violência são fomentadas por grupos que se arvoram ao direito de dizer e fazer toda e qualquer barbaridade. Circulam nas redes sociais colombianas cartas anônimas que pregam abertamente o assassinato de lideranças sociais e sindicais, além de citar explicitamente a FECODE (Federación Colombiana de Trabajadores de la Educación) como alvo de seu ódio.

A grave situação merece uma ação imediata de toda a sociedade colombiana e também da dos seus países vizinhos. O governo do país deve garantir a segurança e vida de todos os colombianos. Não é possível viver em um país com esses índices cada vez mais crescentes de assassinatos e, por isso, os agentes governamentais do país devem agir tanto na parte repressiva dessa questão como no fomento de uma cultura de paz no país, buscando criar as condições para que as próximas gerações não sejam obrigadas a conviver com tamanhas atrocidades.

Os/as educadores/as brasileiros/as, solidários aos seus companheiros e companheiras da Colômbia, expressam a sua dor nesse momento, ao tempo em que também emprestamos nossa luta pelo fim da violência em todo nosso continente. Toda solidariedade a paralisação nacional do próximo dia 12 de setembro, quando todos os colombianos irão à ruas pela vida, pela paz e pela democracia! Como dizem, “… a escola é território de paz”. Os países irmãos da Colômbia, como o Brasil o é, irão fazer nesse dia (12 de setembro) atos em frente às embaixadas da Colômbia em todos os países da região, de modo que possamos nos solidarizar concretamente com a atual situação de nosso vizinho. Somos todos pela educação e por isso somo pela paz! Todo apoio à FECODE (Federación Colombiana de Trabajadores de la Educación) e à ASPU (Associación Sindical de Profesores Universitarios)!

Brasília, 05 de setembro de 2019
Direção Executiva da CNTE

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