Famílias isoladas vivem sem nenhuma condição próximo ao bairro Antonio Guilhermino em Juazeiro

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1990

Vivem em barracos cobertos por lonas plásticas, sem luz elétrica, água encanada e esgoto.

Juazeiro da prosperidade, dos altos índices de geração de empregos, grande exportador de frutas para fora do Brasil. Aqui tem muitas manifestações culturais, o melhor carnaval do interior do país. Terra de grandes revelações da música nacional e internacional, e do futebol mundial. Suas terras são banhadas pelo Rio São Francisco “cantado em versos e prosas” por muitos artistas. Esta terra acolhe quem vem de todo lugar. Seja para visitar ou aqui morar.

SERÁ?

Tudo isso que é falado sobre este lugar e este povo é verdade. Porém numa passada rápida pela periferia da cidade, nos deparamos com uma realidade muito diferente. Dura e cruel com seus cidadãos e cidadãs. Esgoto pelas ruas sem tratamento, poeira e lama adentrando as casas dos moradores.

ISSO É TUDO, OU PODE PIORAR?

Ainda existe coisa pior. Entre os bairros Pedro Raimundo, João Paulo II e Antonio Guilhermino existem cerca de 07 famílias que há cerca de 30 anos não têm acesso a energia, água, esgoto, calçamento, saúde, segurança e trabalho. Vivem como se estivessem paradas no tempo.

Imagem: Google Maps

A reportagem do 60graus.com foi conhecer as histórias delas, como vivem e o grau de abandono do poder público que, mesmo tendo conhecimento daquela realidade, nunca fez nada para mudá-la.

Moradores vivem sem nenhuma condição de moradia


Lá encontramos idosos, adultos, jovens e crianças vivendo de forma precária. As casas não tem a mínima condição de abrigar aqueles seres humanos, que não tem renda e quase nenhuma assistência por parte dos poderes constituídos.

As casas não têm água encanada nem luz

A moradora Joelma Sabino, vive com os seus 03 filhos num barraco de sinzal e barro, coberto por restos de lona plástica e chão batido. Ela e sua família sobrevivem com pouco mais de 200 reais por mês do bolsa família.

“Meu maior medo é esse barraco cair em cima de mim e de minhas crianças. Peço a ajuda de quem puder nos ajudar. Venha ver a nossa situação. Não temos condições de viver dessa forma” – desabafou, a dona de casa.

Dona Maria Sabino, viúva e matriarca dos moradores da localidade nos contou que vive na área desde o ano de 1991. A mesma morava com seu esposo, já falecido, no Parque Residencial. Segundo ela, a Diocese de Juazeiro cedeu o local para que eles morassem. Porém até hoje nunca foi feita nenhuma benfeitoria por parte do município. Devido ao avanço das grilagens e ocupações irregulares, as famílias foram ficando isoladas. Ela falou ainda que todas as mulheres da família se inscreveram no programa ‘Minha Casa, Minha vida’, mas ninguém nunca foi contemplada.

Dona Maria Sabino, matriarca da localidade

Para que o serviço de saúde como o SAMU possa chegar no local e prestar os primeiros socorros e/ou levar alguém donte ao um hospital é necessário que um membro da família vá esperar o carro no bairro Antonio Guilhermino. O mesmo acontece, caso aja necessidade de uma viatura policial ser chamada ao local. O endereço é de difícil acesso.

Único acesso para chegar até a localidade

A nossa reportagem conversou com Antonio Castro, Presidente da Associação de Moradores do bairro Antonio Guilhermino. Ele tem acompanhado a luta incansável daquelas famílias para sobreviver no local sem nenhuma condição.

“A gente vem acompanhando o sofrimento deles há bastante tempo. Desde o ano de 2011 que estamos tentando com as autoridades do município que naquela época sequer tinha conhecimento da existência dessas famílias neste local. Tivemos algumas promessas, mas até hoje sequer houve uma visita oficial de algum órgão ou secretaria para avaliar o que pode ser feito por este povo. Eu acredito que a partir da divulgação da situação desses moradores que aqui se encontram, alguém do governo municipal vai aparecer para buscar uma solução. Quem sabe um empresário e a população possa se sensibilizarem e venha dá uma ajuda de forma emergencial?”, falou Antonio Castro.

O portal 60graus.com vai acompanhar esse caso. É revoltante ver que famílias necessitadas, vivendo na extrema pobreza, mesmo se inscrevendo no “Minha Casa, minha vida” nunca tenha recebido uma casa para morar. Enquanto testemunhamos comerciantes, proprietários de imóveis alugados sendo contemplados com uma casa. Será que essas pessoas são invisíveis aos olhos das autoridades? Será que as pessoas que tem imóveis dormem com a consciência tranquila em saber que existem pessoas miseráveis necessitadas morando em barracos de lona enquanto elas acumulam benefícios sem precisar?

Vale lembrar que essas pessoas que vivem isoladas e sem nenhuma condição de moradia são vítimas de uma sociedade egocentrista, que só pensa no seu próprio umbigo.

Reportagem e fotos: Juvenal Lemos

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