Mais de um milhão de pessoas saem às ruas em defesa da educação brasileira

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Neste 30 de maio, mais de um milhão de pessoas foram às ruas de todo o país contra o corte de R$ 5,8 bilhões no orçamento da Educação realizado por Bolsonaro e seu ministro da Educação Abraham Weintraub.

Estudantes, pais de estudantes, professores e demais trabalhadores participaram do segundo dia de mobilização contra os cortes. De acordo com o levantamento da União Nacional dos Estudantes (UNE), foram realizados protestos em 208 cidades de todas as unidades da federação.

O corte do orçamento da Educação atinge diretamente as verbas de custeio, o que inviabiliza as instituições federais de ensino. No caso das universidades federais, o corte está na ordem de 30% da verba destinada ao pagamento de despesas como água, luz, limpeza, segurança e manutenção das unidades.

Desde que assumiu o Ministério da Educação (MEC), Abraham Weintraub tem gasto muita energia atacando as universidades públicas. Há um mês, o ministro anunciou o corte de pelo menos 30% no orçamento das universidades e institutos federais de todo o país. Diversos reitores universitários e de Institutos Federais (IFs) afirmaram que é impossível manter a qualidade com cortes tão profundos.

Dirigentes das entidades estudantis: UMES, UPES, UEE-SP, UNE e UBES, durante o ato de São Paulo – Foto: 
kboughoff/Cuca da UNE

Para Marianna Dias, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), que convocou as manifestações, “os estudantes organizados mostraram sua força. Muita gente deve ter duvidado que seria possível colocar tanta gente na rua por duas vezes, mas foi um dia vitorioso para a luta de massas do nosso país”.

No dia 15, data da primeira manifestação, Bolsonaro chamou os dois milhões de manifestantes de “idiotas úteis” e “imbecis”. Desta vez, seu ministro da Educação falou que os professores coagem os alunos a participarem das manifestações.

“Bolsonaro não compreende o que é essa multidão na rua, e, enquanto ele não compreender, nós vamos estar nas ruas, mobilizados. O Bolsonaro não quer se defrontar com a realidade, porque, se ele fizer isso, vai perceber que ela não está a seu favor. Não têm professor algum coagindo seus alunos a irem para as ruas. São os estudantes que estão motivando todo o povo brasileiro a lutar pelos seus direitos”, afirmou Marianna em entrevista à Hora do Povo.

O presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Pedro Gorki, avalia que “é na rua que vamos barrar esse crime contra a Educação. A movimentação da massa dos estudantes, a massa dos trabalhadores e de pessoas preocupadas com a educação vai garantir o recuo do ministro”.

“Dia 15 foi imenso, hoje foi imenso. O recado para o governo está sendo dado: ‘Bolsonaro está indo no caminho contrário do que a juventude quer, do que o povo quer e do que o país precisa. Sonhamos com um país independente, desenvolvido, soberano, com tecnologia e oportunidades, e esses cortes nos deixam mais longe disso”, comentou.

Karen Castelli, diretora da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), afirmou que “a pós-graduação brasileira, que é parte importante da pesquisa brasileira, que produz muita tecnologia, será destruída com esses cortes. Primeiro por conta da infraestrutura, dos insumos, das coisas que precisamos para desenvolver a pesquisa, mas também por conta das bolsas, que estão sendo cortadas pelo ministro”.

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A manifestação em São Paulo teve sua concentração às 16h, no Largo da Batata, na zona oeste da cidade, e caminhou em direção a Avenida Paulista. Cerca de 300 mil pessoas participaram.

O presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES), Lucas Chen, afirmou que “essa é a continuidade da nossa luta. As entidades estão fortes, os estudantes estão na rua. Vamos barrar os cortes do Bolsonaro e do Weintraub desse jeito”.

A presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), Nayara Souza, afirmou que “os atos aconteceram nos interiores de todo o estado, onde tempos universidades federais, a UNESP, a UNICAMP. É saldo é muito positivo, é lindo ver estudante, professor e trabalhador lutando pela Educação”.

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Assim como o primeiro ato, realizado no dia 15, a manifestação desta manifestação adquiriu um caráter nacional.

No Rio de Janeiro, 100 mil pessoas estiveram na Candelária, no centro, a partir das 15h. A manifestação seguiu pela Avenida Rio Branco até chegar à Cinelândia.

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Em Belo Horizonte (MG), 200 mil pessoas se concentraram na Praça Afonso Arinos, no centro, às partir das 17, e caminharam até a Praça da Estação, onde aconteceram shows com artistas que rejeitam os cortes na Educação.

Em Belo Horizonte, protesto se estendeu da Praça Afonso Arinos até a Praça da Estação – Foto: Cristiane Mattos/ O Tempo

Em Fortaleza (CE), 100 mil marcharam da Praça da Gentilândia até a Concha Acústica da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde um ato cultural foi realizado. O corte de 30% no orçamento da UFC afetará “gravemente seu ensino, pesquisa e extensão”, afirmou Henry Campos, reitor da universidade.

Em Refice (PE), 100 mil pessoas compuseram o ato que marchou da frente do Ginásio Pernambucano, no centro, até a Praça da Independência. “O presidente Jair Bolsonaro não voltou atrás com os cortes. Não vamos parar enquanto ele não suspender o contingenciamento até que ele entenda que só com a educação o Brasil vai voltar a avançar”, afirmou Manuella Mirella, presidente da União dos Estudantes de Pernambuco (UEE-PE).

Multidão nas ruas da capital pernambucana – Foto: caldaspedr/Cuca da UNE 

Em Porto Alegre (RS), mesmo sob forte chuva, a manifestação contou com 20 mil pessoas participaram do protesto. A concentração aconteceu em frente à Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). De lá, caminharam até a Esquina Democrática. A UFRGS teve R$ 55,83 milhões cortados de seu orçamento. De acordo com Rui Vicente Oppermann, reitor da instituição, o corte “implicará na impossibilidade de arcar com os pagamentos de despesas básicas de funcionamento, como energia elétrica, água e telecomunicações”.

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