Audiência Pública reúne milhares para protestar contra grilagem de terra em Casa Nova

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A investida de duas empresas, originárias de Minas Gerais, de acordo com o cadastro na prefeitura, que diz ser dona de um terço do território do município de Casa Nova, no Norte da Bahia fez com que milhares de pequenos proprietários, agricultores familiares, trabalhadores rurais e camponeses sem terra se mobilizassem para participar de uma audiência pública durante a manhã deste sábado, 11 de maio de 2019, em uma localidade a 50 quilômetros da sede de Casa Nova.

Rancho Alegre nunca tinha visto tanta gente junta, superando as expectativas dos organizadores. A prefeitura providenciou transporte para algumas localidades: “Perdemos o medo! Quando vejo esta gente assim, disposta a defender suas terras, sinto que o povo de Casa Nova não se entrega” – disse o Prefeito Willker Torres, lembrando as lutas do Pau da Colher.

Willker Torres – Prefeito de Casa Nova/BA

No mesmo tom diversos outros oradores, abrangendo um pastor e padres, Pastoral da Terra e Movimento Sem Terra, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, vereadores, secretários municipais e o representante do governo da Bahia, Secretário Josias Gomes, deputados estaduais: Tum e Zó; rememoram histórias de resistência, as vitorias ao longo do tempo e as repetidas tentativas de grilagem.

“Antigamente” – disse a representante da Pastoral da Terra – “Eles vinham com armas e expulsavam os verdadeiros donos com ameaças e muitas vezes resultando em morte. Agora vem com documentos e contam com a corrupção nos cartórios e a falta de interesse da justiça”.

Josias Gomes, Secretário de Desenvolvimento Rural do Governo do Estado da Bahia, representando o Governador disse que “o governo tomará posição sobre grilagem de terra”, ressaltando que Casa Nova pode ser o de maior proporção, “mas não é o único”.

CPT direciona os agricultores na luta pela terra

A audiência resultou em uma ata, com os depoimentos e testemunhos a ser encaminhado ao Ministério Público, uma comissão que acompanhará de perto o andamento dos procedimentos para anular, investigando a origem e quem os concedeu, as escrituras das terras em nome das empresas.

Além destes procedimentos legais, haverá mobilização permanente e ação política dos deputados da região em defesa dos atuais moradores.

Entenda o caso: Empresas apresentam documentos e começam a tomar posse de um terço do território de Casa Nova

Duas empresas, uma delas identificada como Bioma Terra Nova Participações Ltda., começaram por desmatar áreas desabitadas e demarcar para cercar, quase 600 mil hectares de terras no município de Casa Nova.

A área, de uma das empresas, identificada no mapa corresponde a mais de um terço do território total do município, engloba comunidades centenárias, fazendas e até parte da área de um residencial na sede do município.

A notícia da presença de dezenas de trabalhadores e máquinas, além de pessoas visitando agricultores nas localidades que se situam dentro das áreas, comunicando que terão de deixar suas terras, espalhou o pânico por todo o interior de Casa Nova.

Riacho Grande, uma comunidade que já foi cenário de grilagem na década de 70, que resistiu e na época travou uma guerra na defesa das terras, já recebeu as visitas, declarando-se proprietários, comunicando que terão de sair das suas propriedades, podem levar seus utensílios domésticos e o arame da cerca.

A área definida como de propriedade destas empresas abrange território do vizinho município de Remanso.

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