Das lições do Golpe16: Por Érica Daiane

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Desde 2016 o Brasil vem vivendo intensas consequências do Golpe político (parlamentar, jurídico e midiático) que retirou da presidência da República a mineira Dilma Roussef. Após as patéticas cenas do “eu voto em nome de”, o vice presidente Michel Temer assumiu o poder e passou a sancionar a cada dia a retirada de diversos direitos. Aprovou-se Reformas que impactam negativamente a vida da população, aumentou impostos, cortou e congelou recursos investidos em aspectos básicos como saúde e educação, diminuiu o poder de compra das classes mais baixas, ou seja, contribuiu significativamente para acirrar a crise econômica instaurada no Brasil.

Além de todos os (mal) feitos, o presidente oportunista virou motivo de piada nas redes sociais, ganhando um alto índice de rejeição pela população brasileira e até em outros países. Uma coisa, porém, pode ser tirada como lição disso tudo: brasileiro e brasileira que reconhece a importância do voto agora vai analisar muito bem em quem estará votando para vice-presidente do país, da associação comunitária, da cooperativa, do grêmio escolar, etc.

E eis agora um momento essencial para isso. Você já avaliou quem é o/a vice do/da candidato/a a presidente/presidenta que você está pensando em votar para governar o país? Pois vou ajudar aqui apontando apenas três nomes mais cotados hoje no cenário político, isso conforme a discussão na sociedade e não apenas com base em pesquisas encomendadas/direcionadas.

Você que está querendo votar em Ciro Gomes, sabe quem é Kátia Abreu? Ela é empresária e senadora pelo Tocantins. Já foi ministra no Governo Dilma mas antes disso integrava o MDB e era uma ferrenha defensora dos agrotóxicos. Foi Kátia que contribuiu com uma política ambiental voltada para as grandes empresas do agronegócio, favorecendo empreiteiras e empresas privadas na exploração dos bens naturais que possuímos no Brasil. Ela também já se mostrou racista, foi acusada de corrupção e defendia a proposta descabida da Escola sem partido. Kátia Abreu é a vice na chapa encabeçada pelo candidato Ciro Gomes.

Já o candidato que foi atingido por uma faca semana passada em um comício em Minas Gerais apresenta como vice o general Mourão (Antônio Hamilton Martins Mourão). Esse general hoje integra o quadro de reserva do Exército brasileiro e em 2017 chegou a defender o uso das Forças Armadas para resolver o que ele chamava de problemas políticos. Foi o general Mourão quechamou o torturador Carlos Brilhante Ustra de “herói”, um homem que foi responsável por quase 50 mortes e diversos desaparecimentos durante a Ditadura Militar no Brasil.

O candidato Fernando Haddad, apoiado pelo ex presidente Lula, que há cinco meses está preso para não ser candidato a presidente da República mais uma vez, traz como vice a jornalista e deputada federal pelo Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila. Manuela é mãe, já foi vereadora, deputada mais votada em seu estado e agora integra uma chapa junto com o ex prefeito de São Paulo e ex Ministro da Educação Fernando Haddad. Manuela iniciou sua vida política no Movimento Estudantil e toca em temas vistos como polêmicos no país, porém que fazem parte do dia a dia da maior parte das famílias brasileiras como homossexualidade, racismo, aborto, violência contra a mulher, entre outros.

É hora portanto de analisar as histórias de vida e, principalmente, de atuação política, as propostas e assim votar no projeto de sociedade que melhor representa a vida e não à morte, seja da natureza ou das pessoas. É importante lembrar das conquistas que a população mais pobre vinha alcançando e que estão sendo totalmente arrancadas nesses últimos dois anos. Não se deve esquecer também que o Golpe não foi encerrado e muito ainda está por vir até o dia 07 de outubro.

Outra análise simples de se fazer é de que não adianta entrar na onda do voto de protesto votando no pior para o país, foi assim que Tiririca foi eleito deputado. É preciso construir novos nomes para as próximas eleições, fortalecendo inclusive a candidatura de uma mulher para a presidência novamente, porém, nesse momento, Brasil, é preciso votar e disputar o voto de outras pessoas para eleger a dupla que fala a língua do povo. Militares, sanguinários, machistas, homofóbicos, defensoras de venenos, racistas não nos representam. Apostemos na dupla que entende de educação, emancipação, mobilização social, igualdade de gênero, gestão pública… e carrega a marca da mudança promovida pelo nordestino Lula da Silva.

Érica Daiane Costa – Jornalista.

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