Sucesso consolidado no Vale, P1 Rappers lançará novo álbum em Julho

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A ponte presidente Dutra revela de onde partirá o discurso, Juazeiro-BA,  Petrolina-PE, Vale do São Francisco, Nordeste, Brasil…  as imagens a seguir são inéditas e ao mesmo tempo familiares: o Rio São Francisco, monumentos localizados nas cidades vizinhas, o nego d’água, jovens dançando “break” e um grupo de Rap, bonés de aba reta, brincos, alargadores, roupas folgadas e muita “marra”. Em meio a tudo isso, um sampler da consagradíssima “Juazeiro, Petrolina” , escrita por Jorge de Altinho e gravada por vários nomes da música brasileira. Dessa vez, elementos jamais explorados na canção começam a despontar, são os “beats” de DJ Werson que casam perfeitamente com  a misacene audiovisual criada…

Da canção consagrada ficou o refrão, “Juazeiro, Petrolina, Petrolina, Juazeiro / Todas duas eu acho uma coisa linda / Eu gosto de Juazeiro e adoro Petrolina”. A letra que vem a seguir constrói uma narrativa nova, depois da passagem meteórica e influenciadora do “RappersDura” na década de 90. A grupo que tinham nomes como Jocélio Bello e Sandrão como integrantes foi a maior sensação da década, chegando a ter clipe na MTV. O P1 Rappers, por sua vez, estreia na mídia através deste clipe, da música “Juazeiro e Petrolina”. O vídeo viralizou nas duas cidades. A letra narra recortes da vida do Vale São Franciscano, costumes, dialeto…  Pronto, a partir daí, o grupo crava seu nome na História e inicia uma trajetória de muito trabalho, militância e “sucesso”.

P1 Rappers: Euri Mania e Dj Werson. Figurino: Ninfa Tavares. Foto: Junior Barbosa

A palavra “sucesso” está em aspas por ter vários significados a depender de quem leia. Sucesso na música no Brasil é tocar no Domingão do Faustão, e pra isso tem que botar uma música na novela das nove e, pra isso, precisa tocar muito nas rádios e, pra isso, é preciso de uma gravadora, pagar “jabar” e por aí vai…  Mas vivemos no tempo do streaming, das plataformas digitais de música, no tempo onde qualquer artista pode produzir seu conteúdo e disponibilizar de maneira independente, mais livre. A internet vem possibilitando esse tipo de movimento e tem modificado definitivamente a maneira de consumo e produção musical. O P1 Rappers surge nesse contexto. Sem a internet, de que maneira um grupo de rap da Piranga I, bairro periférico de Juazeiro, seria assistido por quase 40 mil pessoas? Difícil de imaginar isso numa realidade onde a TV dominava a produção audiovisual. Com a evolução da tecnologia, smarphones e câmeras passaram a ter preços mais acessíveis, plataformas como YouTube e Soundcloud ajudaram a impulsionar vários novos artistas.

Essa geração vem construindo outro tipo de carreira, outra relação com o público. A TV perdeu espaço para o YouTube, os fãs podem ser chamados de seguidores e hoje, definitivamente, para se fazer sucesso, não é preciso tocar na novela. Sua avó não precisa conhecer, se isso acontecer, ótimo. O fato é que através das redes sociais e de todas as plataformas e ferramentas disponíveis na internet, a música nunca esteve tão “democrática”. Aqui no Vale do São Francisco essa nova maneira de produzir tem impulsionado grupos como P1 Rappers, Sanitário Sexy, Fatel & a Trupe Poligodélica, SemiVelhos, Quatro por Dois, entre outros… A partir do lançamento do clipe de “Juazeiro e Petrolina”, o P1 começou a ser convidado a participar de vários eventos nas cidades, cavou seu espaço, marcou o terreno e hoje é conhecido por boa parte das pessoas do Vale.

O grupo revelou-se um porta voz da periferia, as músicas com letras engajadas denunciam o movimento político brasileiro, a sociedade do consumo, racismo, machismo e vários temas sociais. Se você nunca ouviu as músicas “burcas”, “fábrica de manequins”, “era pra dar certo”, está perdendo tempo. Através desse trabalho, surgiram convites pra tocar em outras cidades. Brasília, Salvador receberam o grupo que hoje é uma dupla: Euri Mania, fundador, letrista, grafiteiro, arte educador e interprete das canções, é a voz do povo preto, ribeirinho, sertanejo; e Werson, DJ, jornalista, compositor e responsável pelos beats, pelos arranjos e samplers das músicas. A banda já passou por várias formações, “Drama”, MC Vitinho, Edson Pop e Nup, já fizeram parte da família P1, o grupo de break “Norte BA Crew” que tem a história entrelaçada com o da P1, os grupos “3 Da Matina”, Perdidos do Norte, Edson Pop, o espaço criado por Euri Mania e chamado de “Galeria 4Ms”, somados ganham força!

Em 2014 o grupo inscreveu a música “Soul Nordestino” no Festival Nacional de Música Edésio Santos da Canção e ganhou como melhor música pelo júri popular, mas foi em 2016 que o grupo ganhou maior repercussão, novamente inscritos no festival, a música “Nordestinias” foi escolhida não só pelo público como a melhor canção do ano, mas pelo jurados também,  causando uma enorme frenesi na cidade. O festival tradicionalíssimo, premiara um rap como a melhor canção na terra da Bossa Nova. Foram as rimas, flows e beats acelerados que fizeram as cabeças dos jurados e público “pirararem”.

No início de julho desse ano, o grupo lançará o seu mais novo trabalho, o álbum “(DES)FEITO NÓS”, o projeto é encarado pelos próprios integrantes  como o melhor trabalho já produzido pelo P1, tanto pelas participações especiais de amigos e artistas parceiros na trajetória do grupo, como pelo cuidado com a pré produção do disco, onde o Bosque Coletivo é o responsável por fazer esse trabalho. O Bosque surgiu no mesmo ano do lançamento do clipe que marcou a história do rap e da música no Vale. Desde 2014 que o Coletivo produz arte e cultura no Vale do São Francisco através de diversos projetos e eventos distintos. A junção entre o coletivo e o P1 Rappers marca esse novo momento de produção no Vale, o momento de independência dos dependentes. Onde falta políticas públicas, sobra vontade de fazer acontecer.  Hoje, o coletivo trabalha nas pré-produções de mais dois novos trabalhos, o EP “Pã” do artista Fatel e o novo disco de Paulo Soares, com previsões de lançamento para agosto e setembro respectivamente. A Casa Azul Estúdio criada pelo experiente Paulo Soares e a Casinha Lab, do multi instrumentista, produtor e compositor Iago Guimarães, são importantíssimos para a viabilidade desses projetos, profissionalizando e dando qualidade aos trabalhos feitos às margens do São Francisco.

Artistas e produtores movimentam a música independente do Vale do São Francisco. Foto: Junior Barbosa

No dia 06 de julho, vocês terão a oportunidade de presenciar o lançamento do disco novo da P1 ao vivo, no palco, com direito a todas as participações que fizeram parte da gravação. Será no Baile do Bosque, evento que acontecerá pela primeira vez em Juazeiro e que já começou a vender ingressos. O Coletivo já trouxe nomes como Baiana System, Attooxxa, Dusouto, Chico Correia, Luisa e os Alquimistas e outros artistas para seus eventos. Essa edição do Baile tem o lançamento do álbum “(DES)FEITO NÓS”. Para maiores informações, visite o evento BAILE DO BOSQUE no Facebook.

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