Encontro da União Europeia em Bruxelas: muita discussão e pouca solução

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O tema mais discutido: os refugiados. O tema como menor índice de soluções: refugiados.

Por Eliene do Valle- direto da Alemanha.

Presidente da Comissão europeia, Jean-Claude Juncker, (à direita) e presidente do parlamento europeu, Martin Schultz, participam de coletiva de imprensa na sede em Bruxelas (Foto: Virginia Mayo/AP)
Presidente da Comissão europeia, Jean-Claude Juncker, (à direita) e presidente do parlamento europeu, Martin Schultz, participaram de coletiva de imprensa na sede em Bruxelas (Foto: Virginia Mayo/AP)

No último encontro do ano, do Conselho da União Europeia, o assunto que mais ganhou a atenção dos líderes dos 28 países membros da União, foi exatamente o que menos deu resultado: a situação dos refugiados da Síria que chegam à Europa.

O assunto tomou outra dimensão, quando o primeiro ministro da Áustria, Werner Faymann, anunciou que cortará as contribuições de seu País para a União caso os outros membros não se mostrem solidários no assunto dos refugiados. “Não podemos continuar dessa forma” – falou o social democrata. “A situação é séria e nenhum de nós pode fingir que não está vendo” – acrescentou  Faymann. Ele se referia á tentativa frustrada de encontrar novas centrais de acolhimento para os mais de 160 mil imigrantes que chegaram à Grécia e à Itália.

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, apoiou a iniciativa do Primeiro Ministro austríaco. “Issi não pode ser visto como uma chantagem, mas se analisarmos bem, o que está acontecendo agora, não condiz com o que é certo” – citou Schultz. Por outro lado, o Ministro Presidente da Hungria, Vikton Orbán, defendeu sua posição: “Vocês não podem nos chantagear dessa forma. Muitos aqui pensam que Deus e o dinheiro são uma coisa só e tentam com isso agir contra países menos favorecidos, só porque os mesmos falam o que pensam” – criticou Orbán.

Seguindo informações divulgadas pela Deutsche Welle, a maioria dos países do Leste europeu são os que mais recebem apoio financeiro da União, seguindo a intenção de Bruxelas em incentivar o melhoramento de infra-estrutura nestes países. Dentro desse contexto, quem mais recebeu o incentivo foram os países da Polônia e Hungria. Mas são exatamente esses, que se colocam contrários ao recolhimento e à ajuda aos refugiados.

Desde que se iniciou a crise dos refugiados na Europa, foi discutido junto aos membros da União a instalação de 11 centrais de recolhimento e registro de dados dessas pessoas. Até hoje só existem 2 funcionando. O problema ainda não foi solucionado.

Fortalecimento do Controle das fronteiras deverá ser votado em Junho de 2016.

A União Europeia decidiu adiar para Junho de 2016 as discussões á cerca do fortalecimento do controle das fronteiras externas da Europa. A ideia é criar uma Agência Européia Militar de Patrulhamento de Fronteiras com aproximadamente mil trabalhadores ativos e mais 1.500 na reserva, já preparados para situações extremas. O ponto crítico se destaca sobre os poderes designados à essa nova agência, que poderá intervir em qualquer país, até quando o mesmo, não consentir com suas ações.

A Inglatera terá que esperar para Fevereiro

O primeiro Ministro Britânico, David Cameron,  bem que tentou, mas o que ele conseguiu foi adiar  a decisão da União, para o próximo encontro que acontecerá em fevereiro, sobre a permanência ou não do seu país no bloco Europeu. Ontem durante um jantar com outros líderes, o primeiro ministro enfatizava que para permanecer na Europa, os britânicos desejam uma redução drástica no fluxo de imigrantes.

A Primeira Ministra da Alemanha Ângela Merkel, presente ao encontro, cautelosa, informou ao seu colega que “estava aberta às conversas e negociações, mesmo que a Inglaterra pretenda restringir o livre trânsito de pessoas entre os países do Bloco Europeu”. Ela acrescentou ainda que “Nós estaremos sempre aptos para conversar, mas a base de nossa conversa deverá ser sempre o respeito aos princípios fundamentais europeus, que não tolera nem discriminação e nem o desrespeito à liberdade de locomoção” – citou Merkel.

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